O Significado dos Dias Festivos: Uma Fresca Reflexão sobre Mergulhar à Superfície ou em Profundidade
Recordas-te do que fizeste no último feriado? Nesta reflexão com sabor a mar, realço a importância de redescobrirmos o valor dos dias festivos não apenas como pausas na rotina, mas como momentos de unidade em torno de um País, de uma Cultura, de uma Comunidade.
A propósito da celebração da Páscoa no passado mês de Abril, dei por mim a pensar no seguinte: até que ponto vivemos estas datas festivas de verdade – de acordo com o seu sentido original – ou, pelo contrário, encaramo-las como mais uma oportunidade para descansar e ir à praia dar um mergulho?
Foi assim que me surgiu a perfeita analogia para a reflexão de hoje: a forma como vivemos as celebrações do nosso País, da nossa Religião, da nossa Cultura; e a nossa forma de mergulhar no mar.
Pensem comigo: ir à praia e dar um mergulho é fácil. Basta levar toalha, fato de banho, aproximarmo-nos da beira-mar e saltar para a água. Claro, se estiver fria, hesitamos um pouco, mas molhando aqui e ali, lá conseguimos refrescar-nos. Se é verdade que esta é uma experiência prazerosa, também é verdade que fica muito aquém das suas potencialidades: não somos capazes de ir fundo porque ficamos sem ar, e por isso, vemo-nos obrigados a regressar à superfície. E aí aproveitamos para fazer o costume: boiar, brincar, contemplar, nadar um pouco… e já está. Voltamos para a toalha, convivemos, apanhamos sol, bebemos uns refrescos, e repetimos o ciclo até regressarmos a casa satisfeitos por termos passado mais um “dia bem passado”.
O mesmo acontece quando decidimos viver as épocas festivas como dias iguais aos outros: aproveitamos para descansar, comer, beber, passear… mais do mesmo. No fundo, vivemos uma ocasião especial sem demonstrar que ela é, de facto, especial. Não a celebramos, ou porque a damos por adquirida, ou porque simplesmente não acreditamos nela, mas acaba por nos dar jeito. E assim, data após data, ano após ano, continuamos sem ir ao âmago do que cada festa simboliza e representa para as nossas vidas – pessoais e comunitárias.
Por outro lado, o mergulho é uma actividade que exige preparação e é feita em grupo: precisamos de ter máscara, snorkel, fato e barbatanas; saber os códigos de comunicação e linguagem não-verbal; e dispor de uma logística de suporte própria, como a deslocação de barco até zonas mais profundas e o acompanhamento de colegas ou instrutores. Ao mesmo tempo, fazer mergulho, sendo mais trabalhoso do que dar um simples mergulho, traz uma recompensa bem maior: aceder às profundezas do oceano e contemplar maravilhas da natureza que à superfície são invisíveis: a variedade de peixes e crustáceos, as formas e cores dos corais, e tantos outros encantos. Ou seja, a experiência é menos acessível, mas infinitamente mais valiosa e transformadora, pois revela-nos uma beleza que nos alegra, comove e enriquece. É uma experiência memorável que sentimos necessidade de reviver e de partilhar com quem nos é próximo.
Também assim acontece quando decidimos mergulhar a fundo nos dias festivos, encontrando o seu significado para as nossas vidas como um tesouro que estava por descobrir, e que à superfície não era possível alcançar. Na verdade, ao mergulharmos em cada festividade com profundidade, compreendemos o porquê das coisas, encontramos sentido nelas e ganhamos sentimento de pertença, porque as celebramos não sozinhos, mas com uma comunidade que partilha da mesma história e dos mesmos valores.
Por isso, vale a pena fazermos o esforço de vivenciar cada época festiva como uma celebração viva e autêntica – enraizada na nossa cultura e parte da nossa identidade –, em vez de a banalizarmos ou ridicularizarmos, pois a satisfação e plenitude que dão à alma humana é inigualável. Cabe-nos, assim, tomar uma decisão: quando vier o tempo da próxima efeméride, vamos querer dar mais um mergulho à superfície ou fazer um verdadeiro mergulho em profundidade?




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